O Corpo dentro do Controle Social

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O Corpo dentro do Controle Social

Mensagem por Natália Brito Ribeiro em Ter Out 31, 2017 3:39 am

Dialogar sobre o corpo e os meios que por ele são utilizados para expressar não só o que acontece no contexto externo mas também no interno, é falar sobre a formação do indivíduo atual. A sociedade contemporânea é um espelho das que vieram antes e por isso "o que é, já foi; e o que há de ser, também já foi."
O corpo pode expressar-se de diversas formas, através da linguagem, movimentos voluntários e involuntários, arte etc. Os homens pré-históricos por exemplo, usavam da arte (pintura, dança, teatro) para se comunicarem uns com os outros e esse costume perpetuou diversas gerações. Na sociedade grega, a arte foi utilizada não só como uma forma de comunicar-se mas também como um ópio: ao mesmo tempo que se divertiam, expressavam-se uns com outros. Atualmente tais manifestações culturais ajudam a descobrir como os nossos antepassados viviam e isso  as tornam um patrimônio da humanidade, por fazerem parte da história do ser.
Quando percebeu-se que, o corpo podia expressar-se com a diversão e que isso era interpretado como ópio, alguns imperadores começaram a investir nessas ocasiões. O ópio era o momento em que os gregos separavam para a dialética e política; devido a isto, muito conhecimento era compartilhado e adquirido gerando uma dificuldade de existir a manipulação estatal. Todavia, com o receio de haver uma revolta plebeia, o imperador Otávio Augusto criou a política do pão e do circo que até hoje está na base que sustenta o controle social. Na época as pessoas estavam acostumadas a assistirem algumas lutas que aconteciam no coliseu e por isso o imperador ordenou que fosse distribuído trigo durante estes espetáculos. Portanto, o nome "pão e circo" surgiu da atitude de distribuir trigo ao mesmo tempo em que aconteciam os jogos. Esta ação fez com que a população esquecesse dos problemas que aconteciam durante o seu cotidiano e tranquilizou a revolta que estava prestes a eclodir.
Mesmo na modernidade, a política não mudou. A ideia ainda é divertir a população com eventos que promovam "o bom imperador" fazendo com que se esqueçam do que realmente acontece em sua rotina. Conforme Karl Marx, existe a classe dominante que trabalha para que a classe dominada nunca deixe de existir e para isso, são utilizados alguns mecanismos de manipulação como tais eventos promovidos pelo governo. Na sociedade hodierna uma das coisas que envolve a maioria (ou todos) dos países é o futebol, um esporte que faz as pessoas transmitirem o que sentem sem ter receio de serem chamadas de loucas. Por envolver indivíduos de diversos países e gerações, tal esporte é visto como um mecanismo de controle da população no qual as pessoas externam a raiva ou amor pelo time e ao mesmo tempo fogem da transmissão do cansaço ou da dor que vivem.
Devido a esses fatores, o esporte também é um meio de manipulação. Não só pela audiência mas também na prática do mesmo. Diversas pessoas estão ocupando suas mentes com a preocupação de ter o corpo perfeito e essa ideia surge da ideologia do padrão de beleza que também é uma forma de manipulação. Por isso, os indivíduos começam a se exercitarem e esquecem que para ser saudável é necessário ter uma alimentação e outras práticas adequadas e por não obterem esse procedimento correto, acabam adquirindo mais uma frustração: não conseguir ser "perfeito". Tal fato acontece principalmente entre os mais jovens que, além de estarem vivendo questionamentos corporais e sentimentais, também somam com a preocupação da beleza perfeita fazendo com que muitos não suportem a pressão e tentem até mesmo o suicídio como uma forma de livrar-se das cobranças.
O índice de suicídio saltou mais de 7 pontos desde 2005 até o ano atual, gerando a campanha do setembro amarelo que promove a conscientização, principalmente nas escolas, que defende que o suicídio não é um meio de alívio e sim um ato de desespero. Entretanto, outro questionamento pode ser levantado: porque apenas um mês de campanha? Não só contra o suicídio mas contra o câncer de próstata, mama e tantos outros. A resposta está na forma em que a sociedade foi formada ideologicamente. A prevenção é visto como algo desnecessário e as pessoas acostumaram-se com a saúde curativa. Há também o preconceito de que a mulher tem a função de ser cuidadosa enquanto que para o homem é uma vergonha ir ao médico apenas para se prevenir.
Vive-se portanto em uma época de caos em que o controle social encontra-se com falhas nos sistemas. Muitos indivíduos estão cansados da manipulação e outros poucos já perceberam o que está acontecendo. A solução na verdade está dentro de cada um quando ao decidir comprar algo, sua motivação ser verdadeira e não apenas uma influência de mecanismos externos que não ajudam a pagar a sua conta financeira individual. A manipulação sempre irá existir, mas os manipulados ainda possuem a decisão de seguir todas as ideologias, ou não.

Natália Brito Ribeiro

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